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CLINICA LACANIANA DA PSICOSE - DE CLERAMBAULT A INCONSISTENCIA DO OUTRO

editora Contracapa
Categoria P.Psicose
Autor ANGELINA HARARI
ISBN Não
ISBN-13 9788577400034
Edição Não
Ano de Lançamento Não
Número de Páginas 0

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R$30,00
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Embora a psicanálise e a psiquiatria estejam hoje em posições bastante distantes no que diz respeito à clínica, há em suas histórias pontos em comum que podem ajudar a entender qual é de fato o tratamento possível da psicose. Ambas não só decorrem da singularidade posta em jogo na clínica médica, ou seja, da passagem daquele que sofre para o primeiro plano de atenção das que se dispõem a tratá-lo, como também procedem a uma investigação psicopatológica guiada por um método de observação. No início do século XX, contudo, a clínica psiquiátrica era essencialmente uma clínica do olhar, e o surgimento da psicanálise demarcou, com muita clareza, a ênfase em uma clínica da escuta, Ao cotejar as apresentações clínicas de doentes da Jacques Lacan 1901-1981 com as de seu mestre Gaëtan Gatian de Clérambault 1872-1934, apreendemos como a entrevista substitui o interrogatório, como o inaudito surge no lugar da compreensão e como, enfim, os descaminhos da palavra do sujeito se sobrepõem às tintas do quadro nosográfico. Este livro de Angelina Harari condensa, de forma serena, o norte dessa transformação ocorrida na clínica da psicose, ou melhor, mostra como Lacan, ainda preso à fenomenologia, ruma das realações de compreensão presentes em sua tese de doutoramento de 1932 em direção às relações simbólicas, nas quais, valendo-se dos ensinamentos de Ferdinand de Saussure, encontra os meios para reformular a distinção entre significante e significado, e daí se dirige para o que se conhece como sua segunda clínica, fundada na inexistência do Outro, no caráter não deficitário da psicose, na articulação do sinthome e na introdução do escrito na fala do sujeito. Realizado tal percurso, o leitor tem, então, a possibilidade de desfrutar a tradução de três textos de Clérambault, dos quais dois discorrem sobre o conceito de automatismo mental, cujo surgimento possibilitou uma extraordinária simplificação da clínica da psicose, e o terceiro, publicado postumamente em 1935, testemunha suas lembranças das cataratas que lhe tomaram a visão.

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